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Estados Unidos chegam hoje aos 300 milhões de habitantes
17.10.2006 - 09h23 Ricardo Garcia (PÚBLICO)

Quando os relógios em Portugal hoje marcarem 12h46, do outro lado do Atlântico estará a nascer um bebé especial. A esta hora, está previsto que os Estados Unidos cheguem à marca dos 300 milhões de habitantes. Na verdade, o residente número 300.000.000 poderá ser um recém-nascido numa maternidade ou um imigrante que tenha acabado de passar a fronteira.
A população norte-americana actualmente cresce em função da seguinte conta: um nascimento a cada sete segundos, uma morte a cada 13 segundos e um novo imigrante a cada 31 segundos, resultado do saldo de entradas e saídas do país. É com base nesta equação cronológica que o departamento de Censos dos Estados Unidos calcula que a barreira dos 300 milhões será ultrapassada hoje, pouco antes da uma da tarde.Entre as nações mais ricas, os Estados Unidos são um ponto fora da curva, em termos demográficos. O seu aumento populacional está muito acima da média. Segundo dados das Nações Unidas, nos países mais desenvolvidos (todos da Europa e América do Norte, mais a Austrália, Nova Zelândia e Japão), a taxa média anual de crescimento entre 2000 e 2005 foi de 0,3 por cento ao ano. Nos EUA, foi de 0,97 por cento.Também as mulheres têm mais filhos nos EUA. A taxa média de fertilidade em 2000-2005 foi de 1,99 filhos por mulher. No conjunto dos países desenvolvidos, foi de 1,56."Os Estados Unidos são um caso de excepção", afirma a demógrafa Maria João Valente Rosa, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa. A chave está na imigração, um factor historicamente importante na demografia norte-americana. Em 1910, pouco antes de atingir os 100 milhões de habitantes, cerca de 15 por cento da população era de imigrantes. A maior fatia vinha da Alemanha. Em 1967, quando foi superada a marca dos 200 milhões, a presença imigrante caiu para cinco por cento, com predominância dos italianos. Agora, está nos 12 por cento. São 34,3 milhões de estrangeiros, com o maior contingente oriundo do México, segundo o departamento de Censos dos EUA.


Peso duplo
A imigração conta duplamente para o crescimento demográfico. Primeiro, pelo saldo migratório em si. Segundo, por trazer pessoas jovens, na janela de idades mais comum para ter filhos. "São nascimentos que vão ocorrer no país de acolhimento", explica Valente Rosa. Em Portugal, ocorreu o mesmo entre 1991 e 2001. "Na ausência de estrangeiros, o número de nascimentos no país teria sido muito menor", diz a investigadora.Com 300 milhões de habitantes, os Estados Unidos seguem firme na terceira posição dos países mais povoados do planeta (ver caixa). Ainda estão longe da China e da Índia, e apenas representam cinco por cento dos moradores da Terra. Mas, em termos ambientais, é uma população voraz: responde por 25 por cento da energia consumida no mundo.O Centro para o Ambiente e População - uma organização não-governamental norte-americana - aponta, num relatório de Agosto passado, outros dados. O consumo per capita de água nos Estados Unidos é três vezes maior do que a média mundial. Cada habitante produz 2,3 quilos de lixo - mais de duas vezes a média per capita em Portugal. O consumo médio de carne é de 136 quilos por ano, por pessoa, contra 72 quilos na Europa e 27 quilos nos países em desenvolvimento.

Mais subúrbios, mais carros
Para muitos, o problema não está no crescimento populacional em si, mas sim na forma como as pessoas vivem e onde se estabelecem. A população urbana aumentou de 40 para 80 por cento no último século, ocupando sobretudo bairros residenciais suburbanos, longe dos centros onde estão os empregos. "Isto naturalmente implica mais automóveis e mais quilómetros de rodagem", afirma Vicky Markham, do Centro para o Ambiente e População, citado pela Associated Press. Os números confirmam: em 1967, havia 99 milhões de automóveis em todo o país, agora há 237 milhões.Os maiores impactes, por isso, estão nas áreas suburbanas que mais crescem. "As pessoas tendem a ver Nova Iorque como uma selva urbana, mas o seu impacte ambiental per capita é relativamente pequeno", disse à Associated Press o investigador Carlos Restrepo, da Universidade de Nova Iorque. "É menor do que o de alguém que mora num subúrbio, numa casa grande e que precisa de mais de um carro."

nm (público)


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